Passávamos mais tempo mantendo nossos apps de tarefas em forma do que fazendo o trabalho que estava dentro deles.
Fazia anos que praticávamos GTD e tínhamos montado um sistema próprio em cima do app que usávamos. Dava em três coisas:
- TodayUpcoming
- As duas maiores visões do app, as duas movidas inteiramente por datas. Uma tarefa sem data era uma tarefa que você não via de novo.
- #state_nextdue: today
- Um filtro salvo, ou uma data que a gente inventava só para a tarefa aparecer. Usávamos datas para escapar das datas.
- #home
- Uma etiqueta fazendo as vezes de contexto.
Cada remendo fazia sentido sozinho. Juntos viraram um segundo emprego. A montagem pedia cuidado toda semana, e nenhum desses cuidados movia trabalho de verdade. Escrevemos sobre esse custo à parte, em onde os apps de tarefas falham naquilo para que foram feitos.
Testamos os apps que deixam as datas de fora. Queríamos que funcionassem. Alguns acertavam a ideia e nos perdiam em outro lugar: funções que a gente nunca ia usar e que mesmo assim pediam atenção, uma visão que não dava para moldar, uma tela que não dava vontade de abrir. Um app que você abre toda manhã tem que ser melhor que isso.
Criticar o trabalho dos outros é fácil. Se você consegue fazer melhor, isso só aparece quando você tenta. Então escrevemos o que a gente queria.
Um app que abre com o que dá para fazer de verdade, no lugar onde você está. Capturar em dois segundos, um título e nada mais. Datas só quando a data é real. Uma hora tranquila por semana para olhar tudo, para os outros dias ficarem em paz. Tudo que a gente vinha fingindo com remendos, agora integrado como o jeito normal de trabalhar.
E uma segunda lista, com o que não ia entrar de jeito nenhum. Sem lista de hoje. Sem subtarefas. Sem cronômetro pomodoro. Não porque sejam difíceis de construir, mas porque algo que você nunca usa continua pedindo atenção toda vez que você abre o app.
As subtarefas foram o que mais nos fez pensar. Uma tarefa com passos embaixo é um projeto, então é nisso que ela vira: com a sua própria próxima ação, o seu lugar na revisão semanal e nada escondido um nível abaixo.
E aí construímos. À noite, nos fins de semana, e usando nós mesmos desde a primeira versão tosca.
O momento em que soubemos que funcionava não foi uma função. Veio meses depois, quando dava para abrir o app e começar a trabalhar. Nada para limpar antes, nada para arrumar. O que a gente notou não foi algo novo, foi a ausência de fricção.
Isso levou tempo. Não tínhamos pressa, e os únicos usuários que podíamos decepcionar éramos nós. A versão pública só veio quando a teríamos escolhido em vez de qualquer outra coisa que já tinha usado.
Continua sendo um projeto paralelo, e isso é de propósito. Ninguém está esperando que a gente cresça. Não precisamos copiar uma função porque outra ferramenta tem, nem inventar um motivo para você abrir o app mais vezes. Construímos o que a gente mesmo ia querer usar e deixamos o resto de fora.
Uma lista de tarefas não é por onde chega a maior parte do trabalho. Ele chega por e-mail, por chat, em ligações e com quem aparece com uma pergunta rápida. A lista é a parte mais tranquila do dia, e a única que você pode moldar. Quando construímos a nossa, não queríamos que ela fosse mais uma coisa gritando.
Ting quer dizer coisa em dinamarquês e em norueguês, e é também o som de um sininho, um tom só. Coisas, feitas, sem precisar dizer.
É a única coisa que podemos te prometer: o tingdo vai continuar quieto.